sexta-feira, 11 de maio de 2007

escuro...

escuro! Escuro bem-feitor
Transforma em fascínio minha feiúra
e dás-me por um instante a ventura
de receber um beijo de amor...

de teus lábios adorados,escuro...
escuro assim como os olhos teus!
e todo o meu dom de profetizar
mas como posso ser perdoada
por embebedar-me de olhos de ressaca
olhos estes que nao querem mais a mim deixar!

sol da América

Trazendo um novo dia – desponta no horizonte
Porque não nos encara de fronte?
E mais um raiar,sacrossanto e maldito
Já nasce muito antes de detrás dos montes infinitos
Bem vindos às trevas!
- assim seríamos sem o Rei
Majestade,não nos cubra com as névoas
Pois as vagas,que resvalam,eu iluminei
Ah,Deus,a luz do mundo novo!
Será que podes ouvir o canto audaz deste povo?
Ah,estes desafortunados não serão ouvidos
Será que serão... reles anjos traídos?
Sobrevoa perto,à distancia,a aeroconstrução dinâmica
Dos Estados Independentes à Península Balcânica
Este Báltico,congelado... abram o mar!
Iluminem as terras e águas de Gibraltar...
Esta luz que raia sem cessar
Que nos povoa a Terra,mas não nos mérita
A luz está sempre conosco,cá
Tribos desta infeliz América!

segunda-feira, 7 de maio de 2007

senhora dos passos

Ah, condene-me a mentir e não ter teus lábios
Pois saibas que é tarde para roubar-me as asas!
Sou novamente um anjo livre, libérrima entre os sábios!
Cubra-me com o véu de finas gazas...

Ah, e atravesso a eternidade, vento nos cabelos — deslumbrante!
Com a força do pensamento peço-lhe este instante
Sublime, terno, como a loucura culpável
Juro que nesta noite sou ainda mais irresponsável

E dizes que não sei quem amo? Pois é mentira!
Quisera eu ter palavras para expressar,
Falsidade santa que cometi
Embalada pela nuvem divina
Arcanjos de amor que vêm tirar-me o ar
Quando perdida entre amores pela primeira e única vez me vi!

Eu já disse que te amo
Eu já disse, já menti!
Pois agora a paz que eu proclamo
Como herética agora esta anja ri!

Pois o pranto sufocado
Morre na garganta, ante a risada sarcástica
És meu amado, que declaro e professo
Como uma musa eclesiástica
Meu crime de vida eu confesso!

Ah, menina pecadora!
Condenada por conhecer amor em imprópria hora
E sua graça avassaladora
Em versos, senhora dos passos, senhora...

Cada dia uma nova promessa
Não prenda-se à jura de ontem!
Menor que a de hoje, infinitamente, numa competição perversa
Para que meus passos com os teus se encontrem

E declaram, e profanam e inventam
Ah, menina pecadora!
Condenada por conhecer amor em imprópria hora
E sua graça avassaladora
Em versos, senhora dos passos, senhora...

minha doce verdade

Sim, sim, estou morta
Lamentando-me ainda uma perda de alguém que eu não amava
Por favor, entre e feche a porta
E esqueça as palavras repetidas que em meus caminhos encontrava
Busco inspiração no mais profundo de teu olhar
Mas nada do que eu profane é novo na Terra fria
Palavras que em versos mostram que além de amar
Há muito mais nestes olhares de vagas, que a solidão esvazia...
Produzidas pela ação do vento
Minhas vagas me levam e deixam após
Meu vale além das lagrimas onde estou morrendo
Então feche a porta— fiquemos a sós
Antes que o veneno tome conta de mim
E uma catastrófica cena exiba a ultima visão antes do fim
Fim de meus dias — fito teus olhos de soslaio
Ah, preciso dizer que te amo, Caio!!
E agora me deixe morrer
Em teus braços, que nunca tive ao menos teus abraços
E devorada pela imensidão tão intensa
Me entorpeço, e enlouqueço, sentindo tudo e nada além de qualquer crença
Ah, como sentir isso por ti que nunca beijei?
Sei que serás meu, pra sempre, fundiremos nossas duas almas
Escrevo desonras e desconsagro toda a humanidade?
Anuncio às vagas que me acalentam e acalmam
Pois saibas que prefiro a morte a omitir minha doce verdade

linamarina

Eu sempre vou te amar
Sei disso,desde que te vi
Esperei quatro anos e tenho a eternidade por esperar
Até quando vou ter que dizer que amo Henri?
Como esquecer numa noite
A obra inteira de uma vida?
Que me condene toda a corte
Com medo de meus olhos de paixão infinda...
Se eu morrer,não há importância
Em apenas uma vida não cabe este amor
Choro em silencio,apenas uma substância
Linamarina... Enche o meu ser de torpor
Uma morte de mulher
Numa vida feminina
Mas eu não sabia sequer
Acabar com a vida linamarina
Veneno feito de sonhos de pó
Aquela dança que você quis dançar só
E não quis meu corpo junto ao teu
Eu dançaria a noite inteira,bebendo o veneno feito Romeu
Mas meu amado — não estava morto
A lágrima faz estes olhos brilharem e terem vida
Na matéria não podemos fazer de nós mesmos um só corpo
Mas as almas entorpecidas são uma só... linamarina
Ah,veneno,veneno que me levou!
E agora? Meu amado está só!
Acompanhá-lo-ei enquanto há amor
Através de milênios e sonhos de pó...

possessiva

Corte,perfure,rasgue e triture tudo que eu sonhei
Esmague meus beijos com molares e incisivos
Tudo aquilo que eu senti quando contigo eu dancei
Ocuparia um pouco mais que o infinito

Dois paralelos,traços infinitos
Que nos opõem o caminho
Sem nunca cruzarem contigo
Minhas retas seguem com meus amores em desalinho

Você lembra o sonho que a gente não quis sonhar?
E a dança que você sozinho dançou...
Quando te imagino a outra beijando
Não! Teus lábios só eu posso tomar
Só podes ser amado pelo meu amor!
Oceanos de lagrimas, banham-me em pranto...

Você lembra aqueles amores que se foram?
A culpa sempre será tua!
No espelho do infinito, loucura e razão
E meus olhos as lágrimas já povoam
Meu chão,meu céu,minha lua
Não leves de mim o que já é de ti,minha paixão...

Você lembra a garota possessiva na janela
E aquelas cartas que você queimou
A garota, garotinha, já sofria
Ela descobria contigo o amor...
A garotinha de olhar perdido e blusa amarela
Que já não sabia rimar
Aquela que se fingiu do que não era
Cinderela, pobre dela que não sabia amar!
A menina que finge tão bem
Que fechou os olhos como quem esquece
E sente que seu sentimento é harém
Mas que quando fita os olhos teus enrubesce
Menina,apenas aprendendo a ser mulher
Mas seus sonhos não a levam sequer
Àquele que ela sonha encontrar
Mas ela sabe,um dia tu vais também amar

os teus lábios

Minha boca te chama
Meus lábios num louco ato
Traduzem quão meu coração te ama
Quase posso sentir teu palato...
Mas é teu perfume que eu sinto
O pulsar de teu tecido sanguíneo
Os teus lábios,ah,eu amo!
Com os olhos e a boca eu te chamo
E quase perco o raciocínio
Teus lábios me abrem um novo fascínio
Vamos fazer de nossos corações um só caminho
E caminho sem saber a direção
Sem saber mesmo quem sou
Vamos fazer de nossos corações um só coração
Eu sei que posso conquistar o teu amor!